sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

MARCAS página 62

Post scriptum recorrente numa espiral ascendente

Hoje
Primeiro dia do ano
Caminho zonza com o Sol nas costas
Pés descalços.

Depois de uma noite morta
em que passei por algumas portas
reli escritos sobre a história dos encontros que não aconteceram.

Usei o sofá por alguns anos fugindo da representante do amor vivido. 
Quando voltei para a cama
de novo
fluidos corporais.

Tentaram tampar.  
Depois um bichano cobriu lágrimas com lençóis.

Esta noite chamei as merdas do passado
elas vieram.
entraram no meu caminho enquanto caminhava com o Sol nas costas
e eu lambi meu dedo nelas 
Pensei que bom! 
Vou ter dinheiro pra comprar um chuveiro
E lavar minhas lágrimas num cruzeiro!

às merdas. 
Marcas de mordidas de canídeos uivantes numa noite de Lua cicatrizam

que lua foi ontem mesmo?
sei não
só sei que sou e sempre serei alguém que nunca vai saber
quem é o dono deste brinde de ano novo que encontrei na calçada.

Caninos na praça vazia.
fazem lembrar da noite quente
da lágrima fria.
De Hesse e Huxley.

Perspectivas existem a perder de vista...
Agora 
Só sei o que sinto.
Suor e sangue nos poros.

Pontos 
infelizmente 
não são o fim,
E injustamente 
Hoje 
Primeiro dia do ano seguinte

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