quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

MARCAS página 18

 SONHEI QUE VOAVA

Quando criança
era no quintal da minha casa
que voava
Presa a uma cordinha
que me impedia de ir mais além
dos muros que dividiam mundos.
O meu e o de ninguém.

Um dia
consegui romper.

E fui tão longe
onde nunca imaginei que poderia.

Mundos muito diferentes
de ouro e pedrarias
profundezas de águas esmeraldinas.
Onde se aprendia a ser melhor
a cada momento que quisesse mergulhar mais fundo
e livrar do medo de arriscar a ser feliz
Realizar a colheita das tulipas amarelas
ou mesmo esculpir o destino 
entre os demônios 
que assolam a mente de um artista.

Pois ninguém
sendo humano
pode ser
Unicamente
Inteiramente
e plenamente
feliz.

A plena incompletude de quem
Um dia
Abriu os olhos

e nunca mais conseguiu fechá-los.

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